quinta-feira, 3 de junho de 2021

Façam boa arte

 Acabei de ter acesso ao Erros Fantásticos: O discurso "Faça Boa Arte" de Neil Gaiman., da Intrínseca. E me pergunto, por que traduzir e apresentar desse jeito:


"Ah mas no original é assim também, Xiko."

Não me interessa se no livro original é a mesma porralouquice! Ele não fez o discurso fazendo bananeira ou algo do tipo, como você pode assistir:

Neil Gaiman Addresses the University of the Arts Class of 2012 from University of the Arts on Vimeo.

Não é mais fácil fazer como o Marcelo Del Debbio fez em 26 de maio 2012, como o Dimas de Fonte replicou em 2 de julho do mesmo ano ou como faço agora? Por extenso como um discurso, ainda que excepcional, executado normalmente? PQP³!!! Desperdício de papel!

Agora que já desabafei, vamos ao discurso de Neil Gaiman aos formandos(plural, Intrínseca!) da Universidade das Artes da Filadélfia, em 17 de Maio de 2012:

Eu nunca realmente esperei me encontrar dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino superior.

Eu nunca me graduei em um desses estabelecimentos.
E nunca nem comecei um.
Eu escapei da escola assim que pude, quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante.
Eu saí para o mundo, eu escrevi, eu me tornei um escritor melhor na medida em que escrevia mais, e eu escrevi um pouco mais, e ninguém nunca parecia se importar que eu estava inventando na medida em que eu prosseguia, eles simplesmente liam o que eu escrevia e pagavam por isso, ou não, e frequentemente eles me encomendavam alguma outra coisa pra eles.
O que me deixou com um saudável respeito e admiração pela educação superior do quais meus amigos e familiares, que frequentaram universidades, se curaram há muito tempo atrás.
Olhando para trás, eu trilhei uma caminhada memorável. Não tenho certeza de que posso chamá-la de uma carreira, porque uma carreira implica que eu tivesse algum tipo de plano de carreira, e eu nunca tive.
A coisa mais próxima que tive foi uma lista que fiz quando tinha 15 anos com tudo que eu queria fazer: escrever um romance para adultos, um livro infantil, uma revista em quadrinhos, um filme, gravar um áudio-livro, escrever um episódio de Dr. Who… e assim por diante. Eu não tive uma carreira. Eu simplesmente fui fazendo a próxima coisa da lista.
Então pensei em contar para vocês tudo que eu gostaria de saber de saída, e algumas coisas que, olhando para trás pra isso, suponho que eu sabia.
E também em dar o melhor conselho que já recebi, o qual falhei completamente em seguir.
O primeiro de todos: Quando você começa em uma carreira nas artes você não tem ideia do que está fazendo.
Isso é ótimo.
As pessoas que sabem o que estão fazendo conhecem as regras, e sabem o que é possível e o que é impossível.
Vocês não.
E vocês não devem.
As regras sobre o que é possível e impossível nas  artes foram feitas por pessoas que não tinham testado os limites do possível indo além deles.
E vocês podem.
Se vocês não sabem que é impossível é mais fácil fazer.
E porque ninguém fez antes, não inventaram regras para evitar que alguém faça de novo, ainda.
Em segundo, se vocês tem uma ideia do que vocês querem fazer, sobre o que vocês foram colocados aqui para fazer, então simplesmente vão e façam aquilo.
E isso é muito mais difícil do que parece e, algumas vezes, no fim, muito mais fácil do que vocês poderiam imaginar.
Porque normalmente, há coisas que vocês precisam fazer antes de que possam chegar aonde querem estar.
Eu queria escrever quadrinhos e romances e histórias e filmes, então me tornei um jornalista, porque jornalistas têm permissão para fazer perguntas, e para simplesmente ir adiante e descobrir como o mundo funciona, e, além disso, para fazer essas coisas eu precisaria escrever e escrever bem, e eu estava sendo pago para aprender como escrever economicamente, claramente, às vezes em condições adversas, e em tempo.
Algumas vezes o caminho para fazer o que vocês esperam fazer estará claramente delineado; e às vezes será quase impossível decidir se vocês estarão ou não fazendo a coisa certa, porque vocês terão de balancear suas metas e esperanças, e alimentar-se, pagar as contas, encontrar trabalho, e se adequar ao que podem encontrar.
Uma coisa que funcionou para mim foi imaginar que onde eu gostaria de estar – um autor, principalmente de ficção, fazendo bons livros, fazendo bons quadrinhos e me mantendo através de minhas palavras – era uma montanha.
Uma montanha distante.
Minha meta.
E eu sabia que enquanto eu me mantivesse andando em direção à montanha eu estaria bem.
E quando eu verdadeiramente não estava certo acerca do que fazer, eu podia parar, e pensar se aquilo estava me levando em direção à montanha ou me afastando dela.
Eu disse não para trabalhos editoriais em revistas, trabalhos adequados que teriam pago um dinheiro respeitável porque eu sabia que, por mais atrativos que fossem, para mim eles estariam me deixando mais distante da montanha.
E se essas ofertas tivessem aparecido mais cedo talvez as tivesse aceito, porque elas ainda me deixariam mais perto da montanha do que eu estava à época.
Eu aprendi a escrever escrevendo.
Eu tendia a fazer qualquer coisa conquanto que parecesse uma aventura, e a parar de fazê-la quando parecia trabalho, o que significou que a vida não se parecia com trabalho.
Terceiro, quando você começa, você precisa lidar com os problemas do fracasso. Vocês precisam ser osso duro de roer, precisam aprender que nem todo projeto sobreviverá.
Uma vida como autônomo, uma vida nas artes, é muitas vezes como colocar mensagens em garrafas, em uma ilha deserta, e esperar que alguém encontre uma de suas garrafas, e a abra, leia, e coloque algo em outra garrafa que fará seu caminho de volta até você: apreço, ou uma encomenda, dinheiro, ou amor.
E vocês têm de aceitar que vocês poderão lançar uma centena de coisas para cada garrafa que aparecerá retornando.
Os problemas do fracasso são problemas de desencorajamento, de desespero, de ansiedade.
Você deseja que tudo aconteça e você quer que as coisas aconteçam agora, e as coisas dão errado.
Meu primeiro livro – uma peça de jornalismo que tinha feito pelo dinheiro, e que já tinha me comprado uma máquina de escrever eletrônica do adiantamento – deveria ter sido um mais-vendido.
Deveria ter me pagado muito dinheiro. Se a editora não tivesse involuntariamente ido à bancarrota entre a primeira impressão se esgotar e a segunda sair, e antes que quaisquer direitos pudessem ser pagos, ele teria me dado muito dinheiro.
E eu dei de ombros, eu ainda tinha minha máquina de escrever eletrônica e dinheiro o bastante para pagar o aluguel por um par de meses, e decidi que eu faria o meu melhor para no futuro não escrever  livros apenas pelo dinheiro.
Se você não ganha o dinheiro, então você não tem nada. Se eu fizesse um trabalho do qual me orgulhasse, e não ganhasse a grana, ao menos eu teria o trabalho.
De vez em quando, eu esqueço essa regra, e sempre que o faço, o universo me bate com força e me relembra dela.
Eu não sei se isso é um problema para mais alguém além de mim, mas é verdade que nada que eu fiz na qual a única razão para fazê-lo fosse o dinheiro jamais valeu a pena, exceto como amarga experiência.
Normalmente nunca dei o trabalho por encerrado ao receber o dinheiro, por outro lado. As coisas que fiz porque estava empolgado, e queria vê-las existirem na realidade, nunca me decepcionaram, e eu nunca me arrependi do tempo gasto com nenhuma delas.
Os problemas do fracasso são difíceis.
Os problemas do sucesso podem ser ainda mais difíceis, porque ninguém lhes avisa sobre eles.
O primeiro problema de qualquer tipo de sucesso limitado é a convicção inabalável de que você está fugindo com algo, e de que a qualquer momento irão descobri-lo.
É a Síndrome do Impostor, algo que minha esposa Amanda batizou de “Polícia da Fraude”.
Em meu caso, eu estava convencido de que haveria uma batida na porta, e um homem com uma prancheta (não sei por que ele carregava uma prancheta, em minha cabeça, mas ele carregava) estaria lá, para me dizer que estava tudo acabado, e eles me pegariam e agora eu teria de ir e conseguir um trabalho de verdade, algum que não consistisse de inventar coisas e escrevê-las, e ler livros que eu quisesse ler.
E então eu partiria silenciosamente e pegaria o tipo de trabalho no qual você não tem de inventar mais coisas.
Os problemas do sucesso. Eles são reais, e com sorte vocês irão experimentá-los. O ponto em que você para de dizer sim pra tudo, porque agora as garrafas que você lança ao oceano estão todas voltando, e você precisa aprender a dizer não.
Eu observei meus colegas e amigos, e aqueles que eram mais velhos que eu e observei quão infelizes alguns deles se sentiam: eu os ouvi contar pra mim que eles não podiam encarar um mundo no qual eles não podiam mais fazer o que sempre quiseram fazer, porque agora eles tinham de ganhar uma certa quantidade de grana todo mês apenas para se manter onde estavam.
Eles não podiam ir e fazer as coisas que importavam, e que realmente queriam fazer; e isso me pareceu uma tragédia tão grande quanto qualquer problema de fracasso.
E depois disso, o maior problema do sucesso é que o mundo conspira para que você pare de fazer o que você faz, porque você é famoso.
Houve um dia em que olhei e me dei conta de que eu tinha me tornado alguém que profissionalmente respondia a e-mails, e escrevia como um hobby.
Eu comecei a responder menos e-mails, e fiquei aliviado por perceber que estava escrevendo muito mais.
Em quarto, eu espero que vocês cometam erros.
Se vocês estão cometendo erros, significa que vocês estão por aí fazendo algo.
E os erros em si podem ser úteis. Uma vez escrevi Caroline errado, em uma carta, trocando o A e o O, e eu pensei, “Coraline parece um nome real…”
E lembrem-se que não importa a área em que estejam, se você é um músico ou um fotógrafo, um artista fino ou um cartunista, um escritor, um dançarino, um designer, o que quer que você faça, vocês têm algo que é único.
Vocês têm a habilidade de fazer arte.
E para mim, e para muitas das pessoas que conheci, isso tem sido um salva-vidas.
O salva-vidas definitivo.
Ele lhe leva através dos bons momentos e pelos outros.
A vida as vezes é dura.
As coisas dão errado, na vida e no amor e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros modos que a vida pode dar errado.
E quando as coisas ficam difíceis, isso é o que vocês devem fazer.
Façam boa arte.
Eu estou falando sério.
O marido fugiu com uma política(o)? Façam boa arte.
Perna esmagada e depois devorada por uma jiboia mutante? Façam boa arte.
Imposto de renda te rastreando? Façam boa arte.
Gato explodiu? Façam boa arte.
Alguém na internet pensa que o que vocês fazem é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Façam boa arte.
Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa.
Façam apenas o que vocês fazem de melhor. Façam boa arte.
Façam-na nos dias bons também.
E, em quinto: Enquanto estiverem nisso, façam a sua arte.
Façam as coisas que só vocês podem fazer.
O impulso inicial é copiar.
E isso não é uma coisa ruim.
A maioria de nós só descobre nossas próprias vozes depois de termos soado como um monte de outras pessoas.
Mas uma coisa que vocês tem que ninguém mais tem são vocês.
Sua voz, sua mente, sua estória, sua visão.
Então escrevam e desenhem e construam e toquem e dancem e vivam como só vocês podem viver.
No momento em que você sentir que, possibilidade, você está andando na rua nu, expondo muito de seu coração e de sua mente e do que existe em seu interior, mostrando demais de si mesmo.
Esse é o momento em que vocês podem estar começando a acertar.
As coisas que fiz que mais funcionaram foram as coisas das quais menos estava certo, as estórias as quais eu tinha certeza de que ou funcionariam, ou, mais provavelmente, seriam o tipo de fracasso embaraçoso que as pessoas se juntam para falar a respeito até o fim dos tempos.
Elas sempre tiveram isso em comum: olhando para em retrospectiva para elas, as pessoas explicam porque foram sucessos inevitáveis. Enquanto as estava fazendo, eu não tinha ideia.
E ainda não tenho.
E onde estaria a graça de fazer alguma coisa que você soubesse que iria funcionar?
E às vezes as coisas que fiz realmente não funcionaram.
Há estórias minhas que nunca foram reimpressas.
Algumas delas nunca sequer saíram de casa.
Mas eu aprendi com elas tanto quando aprendi com as coisas que funcionaram.
Sexto. Eu passarei algum conhecimento secreto de autônomo.
Conhecimento secreto é sempre bom.
E é útil para qualquer um que alguma vez já planejou criar arte para outras pessoas, em entrar em um mundo de autônomo de qualquer tipo.
Eu aprendi isso com os quadrinhos, mas se aplica a outros campos também. E é isto:
As pessoas são contratadas porque, de algum modo, elas são contratadas.
Em meu caso eu fiz algo que atualmente seria fácil de checar, e me colocaria em problemas, e quando eu comecei, naqueles dias pré-internet, parecia uma estratégia de carreira sensata: quando editores me perguntavam para quem eu já tinha trabalhado, eu mentia.
Eu listei uma série de revistas que soavam razoáveis, e soei confiante, e consegui os empregos.
Então transformei em uma questão de honra conseguir escrever algo para cada uma das revistas que eu listei para conseguir aquele primeiro emprego, de modo que eu não menti de fato, só fui cronologicamente desafiado…
Você começa a trabalhar por qualquer maneira que comece a trabalhar.
As pessoas se mantêm trabalhando, em um mundo de autônomos, e mais e mais do mundo de hoje é autônomo, porque seu trabalho é bom, e porque são fáceis de conviver, e porque elas entregam o trabalho em tempo. E você nem precisa de todos os três.
Dois em três está bem.
As pessoas irão tolerar quão desagradável você é se seu trabalho for bom e você o entregar no prazo.
Elas perdoarão o atraso do trabalho se ele for bom, e elas gostarem de você. E você não precisa ser tão bom quanto os outros se você é pontual e é sempre um prazer te ouvir.
Quando concordei em fazer este discurso, eu comecei tentando pensar em qual tinha sido o melhor conselho que já tinha recebido ao longo dos anos.
E ele veio do Stephen King, há vinte anos atrás, no auge do sucesso de Sandman.
Eu estava escrevendo um quadrinho que as pessoas amavam e estavam levando a sério. King gostara de Sandman e de meu romance com Terry Pratchett, Belas Maldições, e ele viu a loucura, as longas filas de autógrafos, tudo aquilo, e seu conselho foi esse:
“Isso é realmente ótimo. Você deveria apreciar isso.”
E eu não aproveitei.
O melhor conselho que já recebi que ignorei.
Ao invés disso, eu me preocupei com aquilo.
Eu me preocupei com o próximo prazo, a próxima ideia, a próxima estória.
Não houve um momento nos próximos quatorze ou quinze anos em que não estivesse escrevendo algo em minha cabeça, ou imaginando a respeito.
E eu não parei e olhei em redor e pensei, isso é realmente divertido.
Eu queria ter aproveitado mais.
Tem sido uma caminhada incrível.
Mas houve partes da trilha que eu perdi, porque estava muito preocupado em as coisas darem errado, sobre o que viria depois, para apreciar a parte em que estava.
Essa foi a lição mais difícil pra mim, eu acho: relaxar e curtir a caminhada, porque a jornada o leva a alguns lugares memoráveis e inesperados.
E aqui, nesta plataforma, hoje, é um destes lugares. (E eu estou curtindo isso imensamente.)
Na verdade coloquei isso em parênteses. Só para o caso de não estar, eu não diria.
Para todos os graduandos de hoje: eu desejo a vocês sorte.
Sorte é útil.
Frequentemente vocês descobrirão que quanto mais duro vocês trabalharem, e mais sabiamente, mais sortudos vocês serão. Mas existe sorte, e ela ajuda.
Nós estamos em um mundo em transição neste momento, se vocês estão em qualquer campo artístico, porque a natureza da distribuição está mudando, os modelos pelos quais os criadores entregavam seu trabalho ao mundo, e conseguiam manter um teto sobre suas cabeças e comprar alguns sanduíches enquanto faziam isso, estão todos mudando.
Eu falei com pessoas do topo da cadeia alimentar em publicações, vendas de livros, em todas essas áreas, e ninguém sabe com o que a paisagem se parecerá daqui a dois anos, que dirá daqui a uma década.
Os canais de distribuição que as pessoas construíram ao longo do último século ou mais estão contínua mudança, para os impressos, para artistas visuais, para músicos, para pessoas criativas de todos os tipos.
O que é, por um lado, intimidante e, por outro, imensamente libertador.
As regras, as suposições, os agora nós devemos fazer de como você consegue expor seu trabalho, e o que você faz a seguir, estão ruindo.
Os porteiros estão deixando seus portões. Vocês podem ser tão criativos quanto precisarem para conseguir visibilidade para seus trabalhos.
YouTube e a web (e o que quer que venha depois do YouTube e da web) podem dar a vocês mais pessoas de audiência do que a televisão jamais deu.
As velhas regras estão desmoronando e ninguém sabe quais são as novas regras.
Então inventem suas próprias regras.
Alguém recentemente me perguntou como fazer alguma coisa que ela achava que seria difícil, em seu caso, gravar um áudio-livro, e eu sugeri que ela fingisse que ela era alguém que poderia fazê-lo.
Não fingir fazê-lo, mas fingir que era alguém que podia fazer. Ela colocou uma nota para este efeito na parede do estúdio, e disse que isso ajudou.
Então sejam sábios, porque o mundo necessita de mais sabedoria, e se vocês não puderem ser sábios, finjam ser alguém que é sábio, e então apenas se comportem como eles se comportariam.
E agora vão, e cometam erros interessantes, cometam erros maravilhosos, façam erros gloriosos e fantásticos. Quebrem regras. Façam do mundo um lugar mais interessante por vocês estarem aqui.
Façam boa arte.

domingo, 30 de maio de 2021

Retiro político

 Não estou bem. Aliás, me encontro assim há dois meses. Como sabe, sou comunista, e não ando muito animado com o cenário político nacional. Seja pela conjuntura, propriamente dita, seja pelas ações dos partidos que coadunam do meu espectro político: PCB, PSTU, PCO, PSOL e UP.

Minha corrente do PSOL, a Revolução Brasileira teve um racha, no princípio do ano, o que não me deixou mais otimista. Dificultou nossa organização política, que já não era lá essas coisas, intercomunicações, caixa e, principalmente, o ânimo dos militantes.

Cada vez mais tenho me afastado da militância, seja na corrente, seja no diretório do PSOL Niterói, ou nos vários Fóruns que participara. O ápice desse afastamento se deu no início do mês, quando decidi desinstalar o WhatsApp.

Mas partido usa WhatsApp ainda, Xiko? Pois é, camarada. Apesar de alertar o diretório do PSOL Niterói, desde 2018, que deveríamos migrar para o Telegram, por questão de segurança, nada aconteceu. Com a célula fluminense da Revolução Brasileira não é diferente. Apesar da nacional ter canais e grupos no Telegram, a RB Fluminense continua de fora. Nós da RB Niterói, temos nosso grupo lá, exceto por um membro.

Antes desse meu choque de realidade surto depressivo, se é que há surto com essa duração, tinha me comprometido com uma apresentação para um debate, do Núcleo Frei Tito, sobre os capítulos 4 à 7 dO Genocídio do Negro Brasileiro, de Abdias Nascimento. Debate esse que se pretendia resgatar o classismo perdido por uma esquerda liberal dominante. O debate não será transmitido em lugar algum, ficará conciso dentro do núcleo. Pouco agregará para a formação politica interna, quiçá fora do partido. Portanto não vejo a menor necessidade da realização do mesmo, logo não participarei.

Ontem tivemos manifestações por todo o país, apesar da mídia burguesa ignorar, mas não mudei de ânimo. Não vejo muito no horizonte que acenda a chama em meu coração apático. Vou fazer um retiro político pra tentar melhorar, com uma dieta de RPG, Jornada nas Estrelas e os livros que adquiri nessa pandemia, como a coleção completa do Álvaro Vieira Pinto. Depois volto. Até.



segunda-feira, 22 de março de 2021

Antigos contos de Austin: O saque da Steve Jackson Jogos pelo Serviço Secreto Estadunidense, 1 de março de 1990

 Recomendo o uso do Google Tradutor para não-falantes de língua inglesa, como eu. 😁

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Representatividade real

 Artigo publicado originalmente em Seja Mudança, em 10/06/2020.



Ciente de desfrutar o privilégio da branquitude, sem tomar o lugar de fala que não me cabe, mas me posicionando de forma antiracista ao sistema que escrevo este texto.

A cada corpo preto no chão, seja Marielle Franco, Evaldo Rosa, Luciano Macedo, Ágatha Félix, João Pedro Pinto, George Floyd ou Miguel Otávio da Silva, sentimos o racismo estrutural institucional socar nosso rosto. Racismo esse que é internacional e imperialista.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi escrita em 1948 para reparar os horrores cometidos na II Guerra Mundial, praticados por brancos, contra uma maioria branca. Algo parecido, direcionado ao povo preto, só foi escrito 19 anos depois, mas reparação histórica contra o povo preto, pelos 400 anos de Diáspora Africana, não foi feita devidamente, principalmente em solo tupiniquim.

Desde de que começaram os protestos antirracistas estadunidenses, decorrentes do assassinato do músico George “Big” Floyd, por policiais de Minneapolis, no estado de Minnesota, começaram as comparações com nossos atos, por parte de pessoas que parecem que não vivem no país que mata um jovem preto a cada 23min. Onde, pra ser vítima da violência policial, não precisa nem sair de casa, como no caso de João Pedro Pinto e tantos outros. Onde a polícia oprime protesto legítimos e afaga os fascistas.


Tendo em vista nosso cenário, precisamos analisar como podemos criar políticas que viabilizem uma sociedade antirracista a partir de agora.

Um grande obstáculo no enfrentamento do racismo institucional é falta de representatividade. Há alguns dispositivos legais que só arranham esta carência, como a Lei Ordinária 3110, a Lei Federal nº 12.288 e a Lei  nº 12.711. Seria necessária uma cotização real, não só nas universidades(que deixam a desejar, diga-se de passagem), mas em todas as esferas da sociedade brasileira.


Deveríamos ter 55,8%(não vou entrar no recorte de gênero, por hora, por incompetência matemática) das vagas para negros e pardos (arredondado pra cima), em UF/IF em cada curso/turno. Se a UFF(Universidade Federal Fluminense) tem 60 vagas pra direito, em 3 turnos, 23/40 matinais, 9/15 vespertinas e 3/5 noturnas deveriam ser para negros e pardos.

Deveríamos ter o mesmo recorte étnico no funcionalismo público. Se há 99% de juízes brancos, há de se fazer os próximos concursos só para negros e pardos afim de que a cota étnica de 55,8% seja atendida mais brevemente.

Deveríamos cotizar o legislativo em todas as esferas, de modo a contarmos com 287/513 deputados federais, 46/81 senadores, 38/70 deputados estaduais(RJ) e 11/24 vereadores(45,1% é o último índice registrado em Niterói-RJ) negros e pardos.

Outro problema é a reparação material. Não houve nenhuma reparação por parte do estado brasileiro às vítimas da Diáspora Africana e seus descendentes. O Brasil sequestrou, escravizou, torturou e estuprou o povo preto durante 388 anos e não pagou por isso.

Quando a Lei Áurea chegou, depois de 308 anos de luta quilombola e 90 anos de luta abolicionista, os agora libertos, foram largados a própria sorte sem terra, sem renda e sem emprego. Só debateu-se a reparação dos senhores, mas não das vítimas destes. O recalque dos senhores com a negativa da indenização foi um dos agregadores ao Golpe Militar de 1889, erroneamente chamado de proclamação da república.

Os 20 mil militares pretos, sobreviventes ou descendentes destes, que combateram na Guerra do Paraguai, provavelmente dariam trabalho aos golpistas, num retorno a escravidão, então o Estado começou o promover programas de imigração de mão de obra branca, italiana primeiramente, pra não empregar a mão de obra preta e instauraram um programa de branqueamento.

BROCOS, M. A Redenção de Cam. 1895. 1 original de arte, óleo sobre tela, 199 cm x 166 cm.

Sei que tô muito palestrinha, mas tô chegando lá.

Em 1994, o Movimento Pelas Reparações (MPR) dos afrodescendentes no Brasil, orçou a reparação material do povo preto. Corrigindo os valores pra 2020, os beneficiados da exploração dessa mão de obra gratuita são devedores de US$ 10.622.320.000.000,00(dez trilhões seiscentos e vinte dois bilhões e trezentos e vinte milhões de dólares). O que daria US$ 91.585,96 ou R$ 448.780,36, para cada um. O deputado federal Paulo Paim(PT) até fez um Projeto de Lei, em 1995, mas foi arquivado.

Um “Cartão Reparação”, nos moldes do Bolsa Família e Auxílio Emergencial ao Cidadão, com valor de R$ 9.349,60 mensais, durante 4 anos(com as devidas correções inflacionais anuais) deixaria tudo quite NUM ÚNICO MANDATO. Além de ser ético, não pesaria no bolso do Estado e fomentaria a economia.

“Tá, seria ótimo! Mas como faz?”, você diria e a resposta é simples: Organização, organização, organização.

Como você se organiza politicamente? Associação de moradores, grêmio estudantil, coletivo, sindicato, partido? O ideal é todas as anteriores. A sociedade civil organizada é o que nos torna uma força democrática. Se você não se organiza, ficará mais difícil ser ouvido. Não adianta ir a urna de 2 em dois anos e ir protestar eventualmente.

Participe da sua associação de bairro, ou crie uma caso não haja. O mesmo vale pro grêmio estudantil ou uma causa defendida por um coletivo. Sindicalize-se. Os sindicatos foram feitos pra defender você e seus colegas de categoria. Tem um partido que vota com frequência por concordar com suas propostas? Filie-se!

Nos envolvendo no processo político é o jeito mais fácil de alcançar a representatividade real.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Bolsonarismo vence em Niterói

 "Esse cara tá maluco", dirá você leitor(a), mas calma que eu chego lá.

Partindo do pressuposto governista, os partidos que concordam entre 0-33% são de oposição, entre 34-66% são de centro e de mais que 67% de situação. Estamos falando do governo bolsonarista, então a oposição é de esquerda.

Dito isto, vamos analisar o gráfico de governismo partidário abaixo:


Nas votações de 2020, na Câmara de Deputados, temos:
Esquerda - PSOL, PT e PCdoB;
Centro - REDE, PSB e PDT;
Bolsonaristas - PV, Avante, PROS, Podemos, Cidadania, Solidariedade(SD), PTB, PSD, PL, Republicanos, Progressistas(PP), MDB, PSDB, NOVO, PSC, DEM, Patriota e PSL.
Já entre 2019 a 2020 abrangemos desde o começo do mandato:
Esquerda - REDE, PT, PSOL e PCdoB;
Centro - PV, PSB e PDT;
Bolsonaristas - Solidariedade(SD), Republicanos(Rep), PTB, PSL, PSDB, PSD, PSC, PROS, Progressistas(PP), Podemos(PODE), PL, Patriota, NOVO, MDB, DEM, Cidadania e Avante.

Calma que piora! Olha o Senado no mesmo período:
Esquerda - ninguém;
Centro - ninguém;
Bolsonarista - Republicanos(Rep), REDE, PT, PSL, PSDB, PSD, PSC, PSB, PROS, Progressistas(PP), Podemos(PODE), PL, PDT, MDB, DEM e Cidadania.

Sentiu o golpe da realidade batendo no seu quengo? Pois é. Vamos assumir que um partido, que em sua maioria, atuando na esquerda ou direita, seja menos maleável quanto a desvios de votação de sua bancada. Se tal parlamentar se desvia sem ser punido(como fez até o PDT com Tabata Amaral) o partido é conivente. E nessa conivência que o bolsonarismo cresce. Com isso temos, ao todo:
Esquerda - PSOL e PCdoB;
Centro - PV;
Bolsonarista - REDE, PT, PSB, PDT, Solidariedade(SD), Republicanos(Rep), REDE, PT, PTB, PSL, PSDB, PSD, PSC, PROS, Progressistas(PP), Podemos(PODE), PL, Patriota, NOVO, MDB, DEM e Cidadania e Avante.

Mas você dirá, isso não é prova do bolsonarismo dominante em Niterói. Não esqueça o fator coligação cara(o) eleitor(a). Do mesmo modo que um partido que é conivente, uma coligação de partidos para uma chapa é conivente com as atuações, um do outro. É como diz um ditado alemão:
"Se há dez pessoas numa mesa, um nazista chega e se senta, e nenhuma pessoa se levanta, então existem onze nazistas numa mesa."

Ou como diria minha bisavó:

"Quem se mistura com porcos, farelo come."

Vamos as coligações niteroienses, onde Esquerda, Centro e Bolsonaristas serão mostrados:
12)União por Niterói - PDT(B), Solidareiedade(B), PV(C), PL(B), PRTB(B, pela sua ideologia), MDB(B), PT(B), PSB(B), PP(B), REDE(B), Patriota(B), PCdoB(E), Avante(B) e Cidadania(B).

16)PSTU(E, pela sua ideologia).

17)Força, honra e fé - PSL(B), Republicanos(B) e PMN(C, pela sua ideologia).

27)DC(B, pela sua ideologia).

30)NOVO(B).

35)PMB(C, pela sua ideologia).

36)Aliança por Niterói - PTC(B, pela sua ideologia) e PODE(B).

50)À esquerda, pra mudar Niterói - PSOL(E) e UP(E, pela sua ideologia).

55)Niterói primeiro - PSD(B), DEM(B), PSDB(B) e PROS(B).

Sacou? Não? Vou resumir: União por Niterói(B), PSTU(E), Força, honra e fé(B), DC(B), NOVO(B), PMB(C), Aliança por Niterói(B), À esquerda, pra mudar Niterói(E) e Niterói primeiro(B).

Ou sejE, conterrânea(o) eleitor(a), ao fim das apurações temos:


A esquerda em Niterói, representada pelos psolistas Prof. Tulio, Benny Briolly e 
PEG, tem um grande desafio pela frente. O povo niteroiense precisa de alguém que os defenda. Verdadeiramente, só o trio pode.

Fonte: Congresso em Foco 
https://congressoemfoco.uol.com.br/governo/exclusivo-os-12-partidos-que-formam-a-base-fiel-do-governo-na-camara/
https://radar.congressoemfoco.com.br/governismo/camara
https://radar.congressoemfoco.com.br/governismo/senado

sábado, 7 de novembro de 2020

A picada é a mesma


Ao me deparar com a emoção, de alguns atores e militantes da esquerda(alguns nem tanto PT saudações), com a vitória do Boi Caprichoso democrata Joe Biden, para a presidência estadunidense, como se vitória da esquerda internacional fosse, resolvi escrever este texto.

Verdade Gráfica: EUA intermediando nas Américas, por GZERO 

Essa doideira confusão não me entra na cabeça, principalmente, depois de saber que a CIA preparou o Golpe Militar de 1964, sob a presidência democrata de Lyndon Johnson. A cobra imperialista deu bote na América-latina quase toda, desde que tomaram piau de Che e Fidel, em 1959. A espécie Crotalus Democratus envenenou 19 de 41 democracias latino-americanas, de 1898 a 1994, como mostrou a ReVista. As demais 22 foram vítimas da Crotalus Republicanus.

Crônicas de Intervenções, traduzida e ampliada de ReVista

O jogo político estadunidense entre Republicano x Democrata, tem em solo tupiniquim, seu reflexo com PTucanato, como diz Prof. Nildo Ouriques. Este ficou em voga aqui até o Golpe de 2016. Hora privatizante, hora assistencialista, mas sempre beneficiando o capital em detrimento da classe trabalhadora.

Tá! Mas o Obama...


Obama largou 26.171 bombas na Síria, no Iraque, no Afeganstão, na Líbia, no Iêmem e na Somália, SÓ EM 2016! Esteve em guerra em TODOS OS DIAS de seus dois mandatos. 


A galera dos Anais de Pesquisa Improvável perdeu, ao meu ver, uma grande oportunidade de dar o Prêmio IgNobel da Paz, de 2016, a Obama.


Sem contar a participação na espionagem e Guerra-jurídica (Lawfare, para não falantes de português), a Operação Condor 2.0, que começou no Golpe hondurenho de 2009, depois veio aqui na forma de Lava-jato, que culminou no impedimento de Rousseff (e, portanto, na prisão de Lula, anos depois). Dito isso, eu pergunto, por que caralhos o vice do baluarte máximo do imperialismo bélico no Oriente-médio e titereiro das Américas é de esquerda?

Quero que alguém me olhe como Joe Biden olha para Obama.

A esquerda estadunidense tem seus representantes no PSL calma, Partido pelo Socialismo e Liberação, no WWP, Partido Mundial ah! a soberba estadunidense dos Trabalhadores, no SEP, Partido da Igualdade Socialista, na Ação Socialista, e na SA, Alternativa Socialista. NÃO NOS DEMOCRATAS.

Os históricos WSPUS, Partido Socialista Mundial dos Estados Unidos(que é proto-anarquista, ao meu ver) e CPUSA, Partido Comunista dos EUA, são agora coletivos, assim como a Liga Espartaquista, o APSP, Partido Socialista Popular Africano, o RCP, Partido Comunista Revolucionário, a FRSO, Organização Socialista Estrada de Libertação, a Solidariedade calma 2: a missão, o NBPP, Novo Partido dos Panteras Negras, o BRLP, Partido de Libertação dos Cavaleiros Negros, a LFI, Liga da Quarta Internacional, e o APL, Partido do Trabalho Americano.

Tanto Republicanos quanto Democratas querem manter a dominação imperialista sobre nós, países do tipo B, para continuar sugando a classe trabalhadora com o aval da burguesia nacional, gerente da lojinha.


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Óciocast #0051 Tá doutrinado: MEF - Dinheiro

Saudações soviéticas, camarada. Aqui é Maricota, a ginoide que incita a classe trabalhadora desde 1926. O quadro 'Tá dominado' não estava cumprindo sua função social, então foi desapropriado pela ditadura do proletariado para a doutrinação comunista.


Continuo os Manuscritos Econômico-Filosóficos(MEF), de Karl Marx. Publicados apenas após sua morte, os Manuscritos foram escritos em 1844, quando Marx tinha apenas 26 anos e antes do seu célebre encontro com Engels. Os Manuscritos de Paris, como também são chamados, apresentam a planta fundamental do pensamento de Marx: a concentração de sua filosofia na crítica da economia nacional de Adam Smith, J.B. Say e David Ricardo.


O ouro de Moscou secou e George Soros não tá nem aí. Portanto precisamos capitalizar pra derrubar o Capital. Vá em apoia.se/Ociocast e ajude a causa. Deixe seu comentário em ociolevaaovicio.blogspot.com. Mande sua carta para ociolevaaoviciopodcast@gmail.com. Faça parte dos Seguidores de Quelone no Telegram. Pie pra gente no @Ociocast. Nos dê seu coração em @ociocast. Curta a página fb.com/Ociocast. Não temos nada a perder a não ser nossos grilhões. É tudo nosso!