sexta-feira, 17 de junho de 2022

TWITCH NUNCA MAIS!

 Eis a mutilação de um ao vivo de mais de 2h que o a BOSTA do Twitch cometeu. Tá uma bosta, mas é melhor que o Twitch.

Falo das Categorias Genéricas (Generic Classes) de Monte Cook, para os Arcanos Desenterrados (Unearthed Arcana) da 3ª edição do (A)D&D. Peculiaridades de tradução, como salvaguarda é MPDO! E otras cositas más.
Todos os elos estão em About.me
Beijo no quengo e até a próxima.



segunda-feira, 25 de abril de 2022

Categorias fantásticas para aventureiros

Que diabo é isso, Xikowisk?, dirá talvez você cara(o) leitor(a) deste humilde sítio (praticamente uma chácara). Categoria é usado no jargão sindical, corroborado pela imprensa, pra grupo de profissionais. Como só há duas classes, burguesia e proletariado, acho errôneo o uso para tal.

Definido isso, vamos analizar as categorias fantásticas ofertadas aos JIPistas (jota-i-pis-tas) no primeiro JIP comercial, o Dungeons and Dragons, usando a Enciclopédia de Regras como base:

  • Clérigo: é um cruzado (nos moldes católicos) fantástico, como o Bispo, em O Feitiço de Áquila;
  • Guerreiro: é auto explicativo. Cara ou mulé com a arma na mão, como Sônia Rubra, em Guerreiros de Fogo;
  • Mago: é cara ou mulé que dá raduqui, mas não é o Ryu, como Merlin, em Excalibur, a Espada do poder;
  • Ladrão: não confunda com político do centro ou bolsonarento. Estamos falando de mestres do subterfúgio aqui, como Hasan, em O Fabuloso Ladrão de Bagdá*Phillipe Gaston, o Rato, em O Feitiço de Áquila; e Subotai, em Conan, o Bárbaro;
  • Druida¹: é o mago natureba, como Panoramix, em Asterix e Obelix;
  • Místico¹: é o monge shaolin, como o Príncipe Tarn, em Guerreiros de Fogo.

Mas e Elfo, Anão e Halfling, cara? A abordagem  da 1ª edição é extremamente racista e trata as raças semi-humanas como categoria, dizendo que um povo só trabalha com uma coisa - erro que foi consertado (creio) só na 3ª edição do AD&D - sim, o que se joga é (A)D&D, o D&D ficou nos  anos noventa e só resurgiu com retroclones como OSRIC, DCC, OSE e Old Dragon. Então vamos ignorá-las.

No AD&D 2ª edição, publicado aqui pela Abril,  o número de categoria aumenta, e já dá uma dica do ponto que vou falar neste artigo. Temos categorias separadas por grupos onde: 

  • Homem de Armas - guerreiro, ranger guarda e paladino;
  • Arcano - magos generalista e especialista;
  • Sacerdote - clérigo e druida;
  • Ladino - ladrão e bardo.

As novidades são:

  • Guarda: é o mateiro ou sertanista, como Transpoente (Passolargo é manero, mas errado), em O Senhor dos Anéis;
  • Paladino: parece um cavaveiro das fábulas à princípio, mas se trata de um clérigo de elite, um Templário, como Bradamante, em Duelos de Amor;
  • Especialista: é mago que segue uma escola de magia específica. Só tem ilusionista esmiuçado, mas serve de base para a criação de abjurante, conjurador, adivinho, feiticeiro, invocador, necromante e transmutador;
  • Bardo: é o jogral, o menestrel, como Cacofonix, em Asterix e Obelix.

Na edição seguinte (paro nessa, prometo), o bárbaro chegou, trazendo de volta o místico - que depois meditar por nove anos no Tibete, resolveu mudar o nome pra monge - junto com o feiticeiro.

  • Bárbaro: é guerreiro estrangeiro, como Conan;
  • Feiticeiro: é o Ryu - no tempo da fome - dando raduqui sem estudo mágico, como em Diablo.
Dito isso, quantas dessas precisam ser categorias, e quantas não precisam existir? Simples, três e o resto. Só precisamos de três tipos de aventureiros, combatentes, místicos e sagazes.
Mago, originalmente, é o sacerdote mazdeista. Ou sejE, clérigo, assim como o padre, imã, brâmane, monge, guru, pai, pastor, frei, pajé, druida, e por aí vai. Só muda a religião.
Do mesmo modo, um homem de armas medievo, um maratecoara, um uúxueiro², uma amazona, um cavaleiro, um bárbaro, um samurai, um caça-recompensa e um legionário poderiam estar na mesma assembléia da guilda, não fosse o espaço-tempo.

Pensando bem...


Não há a menor necessidade de uma categoria diferente para cada sociedade se o espião, o ninja, o assassino e o velhaco (rogue), ambos usam da astúcia pra desempenhar suas funções fantásticas. Bardo não entra aqui, músico em aventura é PNJ.
Bastaria somente alguns detalhes estéticos, uma perícia, um ou outro talento regional, para que tudo corresse tranquilamente apenas com derivados de combatentes, místicos e sagazes. Sem contar a redução considerável no número de páginas dos livros.
Eu tenho todos esse detalhes pra te dar agora tudo pronto pra tu começar a jogar nesse exato momento? Nem a pau, Juvenal! Mas continuo mostrando o caminho das pedras apontando. Em 2004, foi lançado uma versão do d2o Modern por essas bandas, Ação!!!, de Cassaro, Saladino e Trevisan, o qual só tinha 3 categorias: lutador, sobrevivente e perito. Creio que seja um bom começo para a categorização.



Como não tenho mais nada a acrescentar, beijo no seu quengo e até a próxima.


*Obrigado ao camarada marcio marcio, do Rapadura Açurarada Antifascista, no Telegram, pela lembrança do filme.

¹Está no mesmo balaio de categoria, mas é o que a 3ª edição chama de classe de prestígio.

²Deixo aqui registrado meu neologismo para “praticantes de Wushu.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Ledvov parte 2: Old Dragon Camarada

    Não é segredo pra(o)s camaradas leitores que gosto do Old Dragon desde sua primeira edição niteroiense, impressa em novembro de 2010, que só 299 pessoas e eu tivemos acesso infelizmente. Afinal temos um gerador aleatório de histórico de personagens, cortesia de meu primo/amigo/colega de Óciocast/consultor de programação Rafael Castro Couto.

    Com o meu retorno ao passa-tempo, pude trocar ideia com os autores dos livros e revistas que consumia, como Fabiano Neme, coautor de Old Dragon. Em meio a anúncios de uma segunda edição de seu jogo, Neme decidiu publicar seus textos recusados pela editora, dentre eles Old Dragon Old School Companion. Essa obra remete ao Dungeons & Dragons Companion Set, de Frank Mentzer, lançado em 1984, que continha regras para os 15º a 25º níveis. 

    Resolvi diagramar o conteudo, que estava em forma de documento RTF, então entrei em contato com o autor pra saber mais detalhes, de forma a deixar tudo no esquema. O Neme foi super solícito e aprovou o conteúdo.

    O que compartilho contigo aqui é a primeira versão do Old Dragon Camarada, que logo receberá uma rediagramaçao, agora que manjo mais dos paranauê. 



terça-feira, 29 de março de 2022

Lá e de volta outra vez...

    Olá, camarada. Há quanto tempo? Como está? Voltando pressas bandas bloguísticas para escrever sobre uma temática que me reaproximei, o Jogo de Interpretação de Papéis, ou só JIP (jota-i-pê). Em meio ao pandemônio a pandemia, já tentara me aproximar de outro passa-tempo que tivera, o jogo de cartas Spellfire, produzido pela TSR (em 1994) e dado aos fãs (em 2000) pela WotC, 3 anos após comprar a TSR. Não foi como esperado, pois há poucos jogadores. Até matei no peito a administração DO grupo do Facebook, ampliei pra canal e grupo no Telegram, fiz um blogue resgatando o sítio perdido da Liga BSW (liga brasileira do jogo). Desenvolvi, em 13 de maio de 2020, uma reformulação em Jogo de Cartas Vivo, que apresentei ao povo no fim do mês, com direito a refeitoria das cartas sem os cenários e personagens da TSR. A galera nem tchum, mas teve malandro que gostou e,  tá vendendo Vale Não Fungível (NFT, no original) pra mané. Enfin, não deu.

    Comecei a animar de jogar umas partidas de JIP pelo Discord, com Larissa (Requiescat In Pace), Seu Mota e amigos, o que acabou voltando minha atenção de volta ao passa-tempo. Voltei a ver uns livros. Trocar ideia sobre sistemas, cenários, gêneros. Mas a chave virou com um repio com comentário do Marcelo Cassaro:


    A curtida do Cassaro foi suficiente pra que tocasse a ideia adiante. 

Originalmente RPGistas Antifascistas

    E caralho! Deu um fuzuê, nos grupos de Facebook, da porra! Os fascistoides brotaram falando imprompérios, censura no Masmorra de Valkaria, expulsão do GURPS Group Brasil (depois voltei), recibos em Jogo-teste de Tagmar (aliás é um bando de véio chato, paca!)... Uma beleza!

    Então começou a interação com mais gente pelo Telegram. A primeira galera que me acolheu foi a galera do OSR BR, que não fazia ideia do que era (agora que sei, chamo de Revitalização da Velha Guarda, ou só RVG) até os primeiros debates na ARA. Apesar das falas acusatórias de toxicidade, misoginia, racismo e fascismo, levantadas contra a comunidade, o que vi foi um ambiente super acolhedor, antimisógino, antiracista e antifascista. Tudo sangue bom!

    Essa experiência me impeliu a catalogar um dos jogos da comunidade distribuido apenas em HTML, o Caves & Hexes, num PDF maroto. Apanhei um bocado do Libre Office Writer. Acertei na divisão em 2 colunas de texto, no encaixe das tabelas, mas não consegui paginar antes do Natal de 2020. Como respeitava a paginação de um leitor de PDF qualquer, mandei pra galera assim mesmo.

    Pra uma primeira incursão em diagramação, sem o Pagemaker (que manjo), até que não ficou tão ruim. Depois desse, melhorei bastante. Mais pra frente eu te conto como. 

    Beijo no quengo e até a próxima.


quinta-feira, 3 de junho de 2021

Façam boa arte

 Acabei de ter acesso ao Erros Fantásticos: O discurso "Faça Boa Arte" de Neil Gaiman., da Intrínseca. E me pergunto, por que traduzir e apresentar desse jeito:


"Ah mas no original é assim também, Xiko."

Não me interessa se no livro original é a mesma porralouquice! Ele não fez o discurso fazendo bananeira ou algo do tipo, como você pode assistir:

Neil Gaiman Addresses the University of the Arts Class of 2012 from University of the Arts on Vimeo.

Não é mais fácil fazer como o Marcelo Del Debbio fez em 26 de maio 2012, como o Dimas de Fonte replicou em 2 de julho do mesmo ano ou como faço agora? Por extenso como um discurso, ainda que excepcional, executado normalmente? PQP³!!! Desperdício de papel!

Agora que já desabafei, vamos ao discurso de Neil Gaiman aos formandos(plural, Intrínseca!) da Universidade das Artes da Filadélfia, em 17 de Maio de 2012:

Eu nunca realmente esperei me encontrar dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino superior.

Eu nunca me graduei em um desses estabelecimentos.
E nunca nem comecei um.
Eu escapei da escola assim que pude, quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante.
Eu saí para o mundo, eu escrevi, eu me tornei um escritor melhor na medida em que escrevia mais, e eu escrevi um pouco mais, e ninguém nunca parecia se importar que eu estava inventando na medida em que eu prosseguia, eles simplesmente liam o que eu escrevia e pagavam por isso, ou não, e frequentemente eles me encomendavam alguma outra coisa pra eles.
O que me deixou com um saudável respeito e admiração pela educação superior do quais meus amigos e familiares, que frequentaram universidades, se curaram há muito tempo atrás.
Olhando para trás, eu trilhei uma caminhada memorável. Não tenho certeza de que posso chamá-la de uma carreira, porque uma carreira implica que eu tivesse algum tipo de plano de carreira, e eu nunca tive.
A coisa mais próxima que tive foi uma lista que fiz quando tinha 15 anos com tudo que eu queria fazer: escrever um romance para adultos, um livro infantil, uma revista em quadrinhos, um filme, gravar um áudio-livro, escrever um episódio de Dr. Who… e assim por diante. Eu não tive uma carreira. Eu simplesmente fui fazendo a próxima coisa da lista.
Então pensei em contar para vocês tudo que eu gostaria de saber de saída, e algumas coisas que, olhando para trás pra isso, suponho que eu sabia.
E também em dar o melhor conselho que já recebi, o qual falhei completamente em seguir.
O primeiro de todos: Quando você começa em uma carreira nas artes você não tem ideia do que está fazendo.
Isso é ótimo.
As pessoas que sabem o que estão fazendo conhecem as regras, e sabem o que é possível e o que é impossível.
Vocês não.
E vocês não devem.
As regras sobre o que é possível e impossível nas  artes foram feitas por pessoas que não tinham testado os limites do possível indo além deles.
E vocês podem.
Se vocês não sabem que é impossível é mais fácil fazer.
E porque ninguém fez antes, não inventaram regras para evitar que alguém faça de novo, ainda.
Em segundo, se vocês tem uma ideia do que vocês querem fazer, sobre o que vocês foram colocados aqui para fazer, então simplesmente vão e façam aquilo.
E isso é muito mais difícil do que parece e, algumas vezes, no fim, muito mais fácil do que vocês poderiam imaginar.
Porque normalmente, há coisas que vocês precisam fazer antes de que possam chegar aonde querem estar.
Eu queria escrever quadrinhos e romances e histórias e filmes, então me tornei um jornalista, porque jornalistas têm permissão para fazer perguntas, e para simplesmente ir adiante e descobrir como o mundo funciona, e, além disso, para fazer essas coisas eu precisaria escrever e escrever bem, e eu estava sendo pago para aprender como escrever economicamente, claramente, às vezes em condições adversas, e em tempo.
Algumas vezes o caminho para fazer o que vocês esperam fazer estará claramente delineado; e às vezes será quase impossível decidir se vocês estarão ou não fazendo a coisa certa, porque vocês terão de balancear suas metas e esperanças, e alimentar-se, pagar as contas, encontrar trabalho, e se adequar ao que podem encontrar.
Uma coisa que funcionou para mim foi imaginar que onde eu gostaria de estar – um autor, principalmente de ficção, fazendo bons livros, fazendo bons quadrinhos e me mantendo através de minhas palavras – era uma montanha.
Uma montanha distante.
Minha meta.
E eu sabia que enquanto eu me mantivesse andando em direção à montanha eu estaria bem.
E quando eu verdadeiramente não estava certo acerca do que fazer, eu podia parar, e pensar se aquilo estava me levando em direção à montanha ou me afastando dela.
Eu disse não para trabalhos editoriais em revistas, trabalhos adequados que teriam pago um dinheiro respeitável porque eu sabia que, por mais atrativos que fossem, para mim eles estariam me deixando mais distante da montanha.
E se essas ofertas tivessem aparecido mais cedo talvez as tivesse aceito, porque elas ainda me deixariam mais perto da montanha do que eu estava à época.
Eu aprendi a escrever escrevendo.
Eu tendia a fazer qualquer coisa conquanto que parecesse uma aventura, e a parar de fazê-la quando parecia trabalho, o que significou que a vida não se parecia com trabalho.
Terceiro, quando você começa, você precisa lidar com os problemas do fracasso. Vocês precisam ser osso duro de roer, precisam aprender que nem todo projeto sobreviverá.
Uma vida como autônomo, uma vida nas artes, é muitas vezes como colocar mensagens em garrafas, em uma ilha deserta, e esperar que alguém encontre uma de suas garrafas, e a abra, leia, e coloque algo em outra garrafa que fará seu caminho de volta até você: apreço, ou uma encomenda, dinheiro, ou amor.
E vocês têm de aceitar que vocês poderão lançar uma centena de coisas para cada garrafa que aparecerá retornando.
Os problemas do fracasso são problemas de desencorajamento, de desespero, de ansiedade.
Você deseja que tudo aconteça e você quer que as coisas aconteçam agora, e as coisas dão errado.
Meu primeiro livro – uma peça de jornalismo que tinha feito pelo dinheiro, e que já tinha me comprado uma máquina de escrever eletrônica do adiantamento – deveria ter sido um mais-vendido.
Deveria ter me pagado muito dinheiro. Se a editora não tivesse involuntariamente ido à bancarrota entre a primeira impressão se esgotar e a segunda sair, e antes que quaisquer direitos pudessem ser pagos, ele teria me dado muito dinheiro.
E eu dei de ombros, eu ainda tinha minha máquina de escrever eletrônica e dinheiro o bastante para pagar o aluguel por um par de meses, e decidi que eu faria o meu melhor para no futuro não escrever  livros apenas pelo dinheiro.
Se você não ganha o dinheiro, então você não tem nada. Se eu fizesse um trabalho do qual me orgulhasse, e não ganhasse a grana, ao menos eu teria o trabalho.
De vez em quando, eu esqueço essa regra, e sempre que o faço, o universo me bate com força e me relembra dela.
Eu não sei se isso é um problema para mais alguém além de mim, mas é verdade que nada que eu fiz na qual a única razão para fazê-lo fosse o dinheiro jamais valeu a pena, exceto como amarga experiência.
Normalmente nunca dei o trabalho por encerrado ao receber o dinheiro, por outro lado. As coisas que fiz porque estava empolgado, e queria vê-las existirem na realidade, nunca me decepcionaram, e eu nunca me arrependi do tempo gasto com nenhuma delas.
Os problemas do fracasso são difíceis.
Os problemas do sucesso podem ser ainda mais difíceis, porque ninguém lhes avisa sobre eles.
O primeiro problema de qualquer tipo de sucesso limitado é a convicção inabalável de que você está fugindo com algo, e de que a qualquer momento irão descobri-lo.
É a Síndrome do Impostor, algo que minha esposa Amanda batizou de “Polícia da Fraude”.
Em meu caso, eu estava convencido de que haveria uma batida na porta, e um homem com uma prancheta (não sei por que ele carregava uma prancheta, em minha cabeça, mas ele carregava) estaria lá, para me dizer que estava tudo acabado, e eles me pegariam e agora eu teria de ir e conseguir um trabalho de verdade, algum que não consistisse de inventar coisas e escrevê-las, e ler livros que eu quisesse ler.
E então eu partiria silenciosamente e pegaria o tipo de trabalho no qual você não tem de inventar mais coisas.
Os problemas do sucesso. Eles são reais, e com sorte vocês irão experimentá-los. O ponto em que você para de dizer sim pra tudo, porque agora as garrafas que você lança ao oceano estão todas voltando, e você precisa aprender a dizer não.
Eu observei meus colegas e amigos, e aqueles que eram mais velhos que eu e observei quão infelizes alguns deles se sentiam: eu os ouvi contar pra mim que eles não podiam encarar um mundo no qual eles não podiam mais fazer o que sempre quiseram fazer, porque agora eles tinham de ganhar uma certa quantidade de grana todo mês apenas para se manter onde estavam.
Eles não podiam ir e fazer as coisas que importavam, e que realmente queriam fazer; e isso me pareceu uma tragédia tão grande quanto qualquer problema de fracasso.
E depois disso, o maior problema do sucesso é que o mundo conspira para que você pare de fazer o que você faz, porque você é famoso.
Houve um dia em que olhei e me dei conta de que eu tinha me tornado alguém que profissionalmente respondia a e-mails, e escrevia como um hobby.
Eu comecei a responder menos e-mails, e fiquei aliviado por perceber que estava escrevendo muito mais.
Em quarto, eu espero que vocês cometam erros.
Se vocês estão cometendo erros, significa que vocês estão por aí fazendo algo.
E os erros em si podem ser úteis. Uma vez escrevi Caroline errado, em uma carta, trocando o A e o O, e eu pensei, “Coraline parece um nome real…”
E lembrem-se que não importa a área em que estejam, se você é um músico ou um fotógrafo, um artista fino ou um cartunista, um escritor, um dançarino, um designer, o que quer que você faça, vocês têm algo que é único.
Vocês têm a habilidade de fazer arte.
E para mim, e para muitas das pessoas que conheci, isso tem sido um salva-vidas.
O salva-vidas definitivo.
Ele lhe leva através dos bons momentos e pelos outros.
A vida as vezes é dura.
As coisas dão errado, na vida e no amor e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros modos que a vida pode dar errado.
E quando as coisas ficam difíceis, isso é o que vocês devem fazer.
Façam boa arte.
Eu estou falando sério.
O marido fugiu com uma política(o)? Façam boa arte.
Perna esmagada e depois devorada por uma jiboia mutante? Façam boa arte.
Imposto de renda te rastreando? Façam boa arte.
Gato explodiu? Façam boa arte.
Alguém na internet pensa que o que vocês fazem é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Façam boa arte.
Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa.
Façam apenas o que vocês fazem de melhor. Façam boa arte.
Façam-na nos dias bons também.
E, em quinto: Enquanto estiverem nisso, façam a sua arte.
Façam as coisas que só vocês podem fazer.
O impulso inicial é copiar.
E isso não é uma coisa ruim.
A maioria de nós só descobre nossas próprias vozes depois de termos soado como um monte de outras pessoas.
Mas uma coisa que vocês tem que ninguém mais tem são vocês.
Sua voz, sua mente, sua estória, sua visão.
Então escrevam e desenhem e construam e toquem e dancem e vivam como só vocês podem viver.
No momento em que você sentir que, possibilidade, você está andando na rua nu, expondo muito de seu coração e de sua mente e do que existe em seu interior, mostrando demais de si mesmo.
Esse é o momento em que vocês podem estar começando a acertar.
As coisas que fiz que mais funcionaram foram as coisas das quais menos estava certo, as estórias as quais eu tinha certeza de que ou funcionariam, ou, mais provavelmente, seriam o tipo de fracasso embaraçoso que as pessoas se juntam para falar a respeito até o fim dos tempos.
Elas sempre tiveram isso em comum: olhando para em retrospectiva para elas, as pessoas explicam porque foram sucessos inevitáveis. Enquanto as estava fazendo, eu não tinha ideia.
E ainda não tenho.
E onde estaria a graça de fazer alguma coisa que você soubesse que iria funcionar?
E às vezes as coisas que fiz realmente não funcionaram.
Há estórias minhas que nunca foram reimpressas.
Algumas delas nunca sequer saíram de casa.
Mas eu aprendi com elas tanto quando aprendi com as coisas que funcionaram.
Sexto. Eu passarei algum conhecimento secreto de autônomo.
Conhecimento secreto é sempre bom.
E é útil para qualquer um que alguma vez já planejou criar arte para outras pessoas, em entrar em um mundo de autônomo de qualquer tipo.
Eu aprendi isso com os quadrinhos, mas se aplica a outros campos também. E é isto:
As pessoas são contratadas porque, de algum modo, elas são contratadas.
Em meu caso eu fiz algo que atualmente seria fácil de checar, e me colocaria em problemas, e quando eu comecei, naqueles dias pré-internet, parecia uma estratégia de carreira sensata: quando editores me perguntavam para quem eu já tinha trabalhado, eu mentia.
Eu listei uma série de revistas que soavam razoáveis, e soei confiante, e consegui os empregos.
Então transformei em uma questão de honra conseguir escrever algo para cada uma das revistas que eu listei para conseguir aquele primeiro emprego, de modo que eu não menti de fato, só fui cronologicamente desafiado…
Você começa a trabalhar por qualquer maneira que comece a trabalhar.
As pessoas se mantêm trabalhando, em um mundo de autônomos, e mais e mais do mundo de hoje é autônomo, porque seu trabalho é bom, e porque são fáceis de conviver, e porque elas entregam o trabalho em tempo. E você nem precisa de todos os três.
Dois em três está bem.
As pessoas irão tolerar quão desagradável você é se seu trabalho for bom e você o entregar no prazo.
Elas perdoarão o atraso do trabalho se ele for bom, e elas gostarem de você. E você não precisa ser tão bom quanto os outros se você é pontual e é sempre um prazer te ouvir.
Quando concordei em fazer este discurso, eu comecei tentando pensar em qual tinha sido o melhor conselho que já tinha recebido ao longo dos anos.
E ele veio do Stephen King, há vinte anos atrás, no auge do sucesso de Sandman.
Eu estava escrevendo um quadrinho que as pessoas amavam e estavam levando a sério. King gostara de Sandman e de meu romance com Terry Pratchett, Belas Maldições, e ele viu a loucura, as longas filas de autógrafos, tudo aquilo, e seu conselho foi esse:
“Isso é realmente ótimo. Você deveria apreciar isso.”
E eu não aproveitei.
O melhor conselho que já recebi que ignorei.
Ao invés disso, eu me preocupei com aquilo.
Eu me preocupei com o próximo prazo, a próxima ideia, a próxima estória.
Não houve um momento nos próximos quatorze ou quinze anos em que não estivesse escrevendo algo em minha cabeça, ou imaginando a respeito.
E eu não parei e olhei em redor e pensei, isso é realmente divertido.
Eu queria ter aproveitado mais.
Tem sido uma caminhada incrível.
Mas houve partes da trilha que eu perdi, porque estava muito preocupado em as coisas darem errado, sobre o que viria depois, para apreciar a parte em que estava.
Essa foi a lição mais difícil pra mim, eu acho: relaxar e curtir a caminhada, porque a jornada o leva a alguns lugares memoráveis e inesperados.
E aqui, nesta plataforma, hoje, é um destes lugares. (E eu estou curtindo isso imensamente.)
Na verdade coloquei isso em parênteses. Só para o caso de não estar, eu não diria.
Para todos os graduandos de hoje: eu desejo a vocês sorte.
Sorte é útil.
Frequentemente vocês descobrirão que quanto mais duro vocês trabalharem, e mais sabiamente, mais sortudos vocês serão. Mas existe sorte, e ela ajuda.
Nós estamos em um mundo em transição neste momento, se vocês estão em qualquer campo artístico, porque a natureza da distribuição está mudando, os modelos pelos quais os criadores entregavam seu trabalho ao mundo, e conseguiam manter um teto sobre suas cabeças e comprar alguns sanduíches enquanto faziam isso, estão todos mudando.
Eu falei com pessoas do topo da cadeia alimentar em publicações, vendas de livros, em todas essas áreas, e ninguém sabe com o que a paisagem se parecerá daqui a dois anos, que dirá daqui a uma década.
Os canais de distribuição que as pessoas construíram ao longo do último século ou mais estão contínua mudança, para os impressos, para artistas visuais, para músicos, para pessoas criativas de todos os tipos.
O que é, por um lado, intimidante e, por outro, imensamente libertador.
As regras, as suposições, os agora nós devemos fazer de como você consegue expor seu trabalho, e o que você faz a seguir, estão ruindo.
Os porteiros estão deixando seus portões. Vocês podem ser tão criativos quanto precisarem para conseguir visibilidade para seus trabalhos.
YouTube e a web (e o que quer que venha depois do YouTube e da web) podem dar a vocês mais pessoas de audiência do que a televisão jamais deu.
As velhas regras estão desmoronando e ninguém sabe quais são as novas regras.
Então inventem suas próprias regras.
Alguém recentemente me perguntou como fazer alguma coisa que ela achava que seria difícil, em seu caso, gravar um áudio-livro, e eu sugeri que ela fingisse que ela era alguém que poderia fazê-lo.
Não fingir fazê-lo, mas fingir que era alguém que podia fazer. Ela colocou uma nota para este efeito na parede do estúdio, e disse que isso ajudou.
Então sejam sábios, porque o mundo necessita de mais sabedoria, e se vocês não puderem ser sábios, finjam ser alguém que é sábio, e então apenas se comportem como eles se comportariam.
E agora vão, e cometam erros interessantes, cometam erros maravilhosos, façam erros gloriosos e fantásticos. Quebrem regras. Façam do mundo um lugar mais interessante por vocês estarem aqui.
Façam boa arte.

domingo, 30 de maio de 2021

Retiro político

 Não estou bem. Aliás, me encontro assim há dois meses. Como sabe, sou comunista, e não ando muito animado com o cenário político nacional. Seja pela conjuntura, propriamente dita, seja pelas ações dos partidos que coadunam do meu espectro político: PCB, PSTU, PCO, PSOL e UP.

Minha corrente do PSOL, a Revolução Brasileira teve um racha, no princípio do ano, o que não me deixou mais otimista. Dificultou nossa organização política, que já não era lá essas coisas, intercomunicações, caixa e, principalmente, o ânimo dos militantes.

Cada vez mais tenho me afastado da militância, seja na corrente, seja no diretório do PSOL Niterói, ou nos vários Fóruns que participara. O ápice desse afastamento se deu no início do mês, quando decidi desinstalar o WhatsApp.

Mas partido usa WhatsApp ainda, Xiko? Pois é, camarada. Apesar de alertar o diretório do PSOL Niterói, desde 2018, que deveríamos migrar para o Telegram, por questão de segurança, nada aconteceu. Com a célula fluminense da Revolução Brasileira não é diferente. Apesar da nacional ter canais e grupos no Telegram, a RB Fluminense continua de fora. Nós da RB Niterói, temos nosso grupo lá, exceto por um membro.

Antes desse meu choque de realidade surto depressivo, se é que há surto com essa duração, tinha me comprometido com uma apresentação para um debate, do Núcleo Frei Tito, sobre os capítulos 4 à 7 dO Genocídio do Negro Brasileiro, de Abdias Nascimento. Debate esse que se pretendia resgatar o classismo perdido por uma esquerda liberal dominante. O debate não será transmitido em lugar algum, ficará conciso dentro do núcleo. Pouco agregará para a formação politica interna, quiçá fora do partido. Portanto não vejo a menor necessidade da realização do mesmo, logo não participarei.

Ontem tivemos manifestações por todo o país, apesar da mídia burguesa ignorar, mas não mudei de ânimo. Não vejo muito no horizonte que acenda a chama em meu coração apático. Vou fazer um retiro político pra tentar melhorar, com uma dieta de RPG, Jornada nas Estrelas e os livros que adquiri nessa pandemia, como a coleção completa do Álvaro Vieira Pinto. Depois volto. Até.



segunda-feira, 22 de março de 2021

Antigos contos de Austin: O saque da Steve Jackson Jogos pelo Serviço Secreto Estadunidense, 1 de março de 1990

 Recomendo o uso do Google Tradutor para não-falantes de língua inglesa, como eu. 😁